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Sem Título

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26 de janeiro de 2018

Saudades de quando não precisava me rotular.
Mas calma, acho que esse dia nunca aconteceu.

Não sei se alguém se identifica comigo, mas sempre tive a necessidade de parecer algo.
 Na escola, queria ser bonita. Sem sucesso, claro.
Então passei a andar com os meninos, já que não pode contra eles, junte-se à eles.
Sem sucesso, claro.
Depois, decidi que seria rebelde!
Não como os cantores mexicanos, mas rebelde de VERDADE; meus pais na época me proibiam de ter redes sociais (finados orkut,msn,flogão), mas minha rebeldia de fachada me levava para um ciclo vicioso e sem volta: dezenas de e-mails e contas diferentes.
Mas não contava claro, com a astúcia do meu pai. 
Técnico em Informática, descobria todos os e-mails e com isso, e mais um pouco (ou bastante) que vou evitar contar para não me envergonhar mais; fiquei em média dois anos consecutivos de castigo. 
TÁ, vou me expor e contar que grande parte disso foi consequência dos namoradinhos, que eu com doze anos não deveria ter!

Minha rebeldia passou, e logo após ela veio a fase de querer ser independente. 
Com os catorze anos comecei a namorar, e a responsabilidade chegou!
De sexta à domingo, de 19h às 21h, tinha um encontro marcado com o meu primeiro namorado em casa (oooooooh!!!!).
Nessa fase estive me rotulando de madura o suficiente para ter um namorado em casa!
Aos quinze, me rotulei de quase adulta já que podia pegar o ônibus para estudar em outro lugar fora meu bairro. E para melhorar, tinha amigos e conhecia pessoas que não faziam parte do círculo de amizades dos meus pais. 
Ia para o cinema com a turma do ensino médio, fazia vaquinha para o lanche, e além disso ainda me rotulei de "engraçada". 
Mas a engraçada aqui, resolveu entrar em um grupinho mais engraçado ainda: os que riam de tudo e não queriam a culpa de nada.
Um bullying fortíssimo rolou na sala de aula, e adivinha quem levou a culpa?
" AQUELA GORDINHA SONSA QUE USA ÓCULOS ", disse a mãe da vítima.

Até os dezoito anos me mantive assim, porém, o rótulo de engraçada foi indo embora e dando espaço para a "desgraçada". Ou "exagerada", como preferir.

O colégio acabou, a rotina me pegou e daí veio o rótulo de Dona Maria. Só arrumava casa e dormia, o dia todo e todos os dias.
CARA! Minha mãe trabalhando, e eu como a "mulher" que estava em casa desocupada, tive que assumir tal responsabilidade novamente.
Se eu te contar que foram os dias mais estressantes da minha vida, você acredita?
Sério, eu tinha que acordar - fazer café - lavar a louça - arrumar a casa - arrumar almoço - apressar meu irmão para a escola - tirar um cochilo - acordar correndo para terminar de arrumar a casa que enrolei de manhã - minha mãe chegar e brigar comigo.

E aí chegou o título de frustada.
Desde o fim do ensino médio meus pais me prometeram uma faculdade, e tudo seria muito simples se o mundo não fosse movido a dinheiro!
Não tivemos o dinheiro para a faculdade e daí se vão dois anos desocupada esperando meu dia chegar. 

Ahhhh! 
Aos dezenove veio o título "AGORA VAI", aquela esperança de que algo pode melhorar na vida, sabe?
Enfrentei fila de emprego em uma empresa de Telemarketing, vendi docinhos na rua para pagar a tela do meu telefone (que quando quebrou foi uma tristeza), e em Maio de 2017 consegui um emprego como vendedora.
Não imaginei que ficaria neste emprego por tanto tempo, na verdade, eu deveria estar nele desde o início do ano como arte finalista.
Mas lembra da época frustada? Nela tinha muita insegurança e tristeza, e isso me fez perder oportunidades.

Como vendedora durante meses, entrei em um curso de design gráfico e comecei o "AGORA VAI". 
Troquei meus óculos, que meus pais não puderam trocar; comprei uma cama nova para dormir com meu irmão... 
Sabe a insegurança? Ela existe nessa época também, e com o corpo!
Mas isso deixa pra outro post já que esse provavelmente você nem conseguiu chegar até aqui de tanto que eu falo ha ha

Comecei a sentir o gosto da "liberdade" financeira e da independência.
Com 20 anos descobri mais do que nunca que meu maior título é comunicação!
Sem rebeldia, e sem querer ser perfeita para ninguém além de mim, essa fase está sendo punk.
É difícil quando não se quer rotular mais, entretanto, as pessoas INSISTEM em te rotular e lhe obrigam a ser do jeito que elas querem.
Dói.

E aos 20 anos também, estou descobrindo a dor da ingratidão.
Aquela coisa que sufoca quando você sabe que está dando o melhor de si, mais que o melhor de si, mas as pessoas ainda sim te diminuem.
Dói demais.

Mas pelo lado positivo dessa fase, estou aprendendo MUITAS coisas novas.
Lembra que na Frustação deixei de ser arte finalista? 
Pois é, entro o ano de 2018 sendo a tal designer.
QUE LOUCO!
Fico tentando entender as filosofias da vida e como ela organiza as coisas, mas juro, não consigo.

Conheci pessoas bem legais, passei por situações desafiadoras, me culpo e me julgo a todo momento mas quer saber uma coisa?
Essa sou apenas eu.
SÓ EU.
SOMENTE, eu.

Prazer, Maria Eduarda.
Dividida em rótulos, em fases, e todas elas para querer impressionar ou desesperar alguém.
Mas a bonita nunca fez nada pra si, né mesmo?

Sinto lhes informar, agora meu título é LIVRE.
Foi apagado e quem escreve sou eu!
Do jeitinho que eu quiser.

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